INSS suspendeu 224 peritos e mandou reanalisar 694 mil pedidos negados sem justificativa
Foto: Agência BrasilO ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou em 19 de agosto de 2026 que 224 peritos médicos do INSS vinham negando pedidos em patamar muito acima da média e sem a fundamentação necessária. Segundo ele, esses profissionais foram suspensos e os processos tiveram de ser reanalisados.
O ministro citou ainda outro número: entre abril e julho de 2026, houve 694 mil indeferimentos sem justificativa especificada. Nas palavras dele, todos foram suspensos e passaram por nova análise.
O que significa "negativa sem justificativa"
Toda decisão do INSS precisa dizer por que o pedido foi recusado. É esse motivo que permite ao segurado entender o que faltou, apresentar documento novo ou recorrer com argumento certo. Quando o indeferimento sai sem a razão especificada, a pessoa recebe a negativa e não tem como reagir de forma adequada — e boa parte simplesmente desiste.
É por isso que o volume citado pelo ministro chama atenção. Não se trata apenas de pedidos indevidos que foram corretamente recusados, mas de decisões que, segundo a própria Previdência, não estavam devidamente fundamentadas.
Por que isso está acontecendo agora
O contexto é a força-tarefa para reduzir a fila. O estoque de pedidos iniciais bateu recorde de 3,1 milhões de requerimentos no começo de 2026, e o governo montou uma operação para acelerar as análises, incluindo pagamento de bônus por produtividade aos servidores.
Analisar mais rápido, porém, elevou também a proporção de recusas. Os benefícios por incapacidade — o antigo auxílio-doença entre eles — são os mais atingidos, e a taxa de indeferimento dessa família de benefícios saltou de 39% em 2025 para 53% no primeiro semestre de 2026.
O que fazer se o seu pedido foi negado nesse período
A revisão anunciada pelo ministro é feita pelo próprio instituto, sem que o segurado precise pedir. Mas isso não substitui a leitura da carta de indeferimento: é nela que está o motivo da recusa e o prazo para recorrer, que costuma ser de 30 dias contados da ciência da decisão.
Cuidado com golpe
Notícia de revisão em massa é convite para fraude. Já circulam mensagens dizendo que o beneficiário "entrou na lista dos reanalisados" e que precisa confirmar dados por link, pagar uma taxa de reabertura ou informar a senha do aplicativo para o processo "andar mais rápido". Nada disso existe: revisão feita pelo INSS não cobra nada e não é destravada por Pix.
Se você teve um pedido recusado entre abril e julho e a carta não explica o motivo, guarde o documento e o número do protocolo e procure um profissional de sua confiança para avaliar o caso e o prazo de recurso.
Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.
Assista também
Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais
Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.