Setembro Amarelo: afastamento do trabalho por saúde mental bate recorde no INSS

Começa nesta terça-feira o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio e de cuidado com a saúde mental. E os números do próprio INSS mostram por que o tema saiu do campo do discurso e virou questão de trabalho e de renda.
Em 2024, foram 472,3 mil pedidos de afastamento por transtornos mentais, contra 283,4 mil em 2023. É um salto de 68% em um ano e o maior número da última década. Só os quadros de ansiedade responderam por cerca de 141 mil desses pedidos.
Para se ter ideia do peso, o INSS recebeu no ano cerca de 3,5 milhões de pedidos de afastamento por todos os motivos somados. Mais de um em cada dez tinha origem na saúde mental.
Quem mais adoece
O perfil que aparece nos registros do instituto é bastante definido: a maioria dos afastamentos é de mulheres, com idade média em torno dos 40 anos, por quadros de ansiedade e depressão, e com afastamento que costuma durar até três meses.
Transtorno mental dá direito a benefício
Esta é a parte que muita gente não sabe: doença mental é doença, e para a Previdência não vale menos do que uma lesão no corpo. Quando o transtorno incapacita a pessoa para o próprio trabalho, existe direito ao benefício por incapacidade temporária.
O ponto delicado é a prova. Diferentemente de uma fratura, o transtorno mental não aparece em radiografia. O que sustenta o pedido é o conjunto:
- relatório do médico que acompanha o caso, com CID, tempo de tratamento e descrição do que a pessoa deixou de conseguir fazer;
- receitas e histórico de medicação;
- registro de internações, sessões de terapia e afastamentos anteriores;
- descrição da função exercida — porque o que se avalia é a incapacidade para aquele trabalho.
Atestado curto, com uma linha e sem CID, é a causa mais comum de indeferimento. O laudo bem escrito não garante o benefício, mas o laudo genérico costuma derrubar o pedido logo na primeira análise.
No trabalho, a empresa também tem obrigação
Desde a atualização da NR-1, os riscos psicossociais entraram formalmente na gestão de saúde e segurança do trabalho — assédio, metas abusivas, jornada excessiva e ambiente hostil passaram a ser fatores que a empresa precisa mapear e enfrentar.
Cuidado com golpe
Em campanha de saúde, aumenta a oferta de perfis que prometem "aprovar o afastamento" ou "acelerar a perícia" mediante pagamento adiantado. Ninguém consegue garantir resultado antes de olhar o caso, e nenhum órgão público cobra taxa, pede Pix ou pede senha para analisar pedido de benefício.
Se você está adoecendo no trabalho, ou teve o pedido negado, procure um profissional de sua confiança para avaliar a documentação médica e entender o motivo real da negativa.
Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.
Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais
Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.