Pente-fino do INSS mira quem está há mais de 2 anos sem passar por perícia

O chamado pente-fino do INSS não é uma operação com data para começar e acabar. É um processo permanente de revisão de benefícios que segue rodando em 2026 — e o que mudou neste ano foi a escala. O cruzamento automático de dados permite que o instituto identifique inconsistências em volume muito maior do que conseguia antes.
Quem está no alvo
O foco principal é o auxílio por incapacidade temporária, o antigo auxílio-doença, e a aposentadoria por incapacidade permanente, a antiga aposentadoria por invalidez. Dentro desses grupos, a prioridade recai sobre quem não passa por perícia médica há mais de 24 meses. Estimativas do setor apontam mais de 400 mil auxílios-doença sujeitos a revisão ao longo de 2026.
Os benefícios concedidos durante a pandemia, quando muita coisa foi liberada por análise documental sem exame presencial, formam uma fatia relevante dessa fila.
O que não entra na revisão de capacidade
Uma confusão comum vale ser desfeita. A aposentadoria por idade e a aposentadoria por tempo de contribuição são benefícios definitivos e não passam por revisão de capacidade de trabalho. Quem recebe por essas regras não vai ser convocado para provar que continua incapacitado, simplesmente porque a incapacidade nunca foi o requisito.
Como chega a convocação
O aviso costuma chegar por mais de um caminho ao mesmo tempo: notificação no aplicativo oficial do INSS, carta simples pelos Correios no endereço que consta no cadastro e, em alguns casos, mensagem de texto no celular cadastrado.
Daí vem o primeiro problema prático. Endereço desatualizado é a causa mais banal de perda de benefício em revisão — a carta chega em um lugar onde a pessoa não mora mais, ninguém comparece, e o benefício é cessado por falta de comparecimento, não por decisão médica.
Não comparecer é o pior cenário
Quem é convocado e não aparece tem o benefício suspenso e, na sequência, cessado. E existe uma diferença importante entre ser cortado por não comparecer e ser cortado depois de uma perícia que concluiu pela recuperação. No segundo caso, há laudo, há fundamentação e há material concreto para discutir. No primeiro, a discussão começa muito mais difícil.
Vale lembrar também que a documentação médica pesa. Chegar à perícia com relatório antigo, sem exame recente e sem descrição clara da limitação para o trabalho enfraquece o caso mesmo quando a doença é real e continua ali.
Cuidado com golpe
Revisão de benefício é prato feito para golpista. Circulam ligações e mensagens dizendo que a perícia foi "antecipada", que o benefício será cortado em 48 horas e que existe um pagamento capaz de suspender a convocação ou garantir a manutenção. Nada disso existe. O INSS não cobra para manter benefício e não cancela perícia mediante pagamento, e ninguém do órgão pede senha, código recebido por mensagem ou foto de documento por telefone.
Quem recebeu convocação, teve o benefício suspenso ou está com dúvida sobre a documentação médica que precisa reunir deve procurar um profissional de sua confiança para avaliar o caso antes da data da perícia — depois do corte, o caminho fica mais longo.
Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.
Foto: Alex Green/Pexels
Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais
Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.