Atestado de até 90 dias libera auxílio-doença sem perícia presencial

O trabalhador afastado por problema de saúde pode ter o auxílio por incapacidade temporária aprovado sem passar por perícia presencial em afastamentos de até 90 dias. A mudança veio com a Portaria Conjunta MPS/INSS nº 13, de 23 de março de 2026, que reformulou o sistema de análise documental do INSS, conhecido como Atestmed. Antes dela, o limite era de 60 dias.
Na prática, o pedido é decidido a partir do atestado e dos exames apresentados pelo segurado. A análise é feita por servidor do INSS, que aprova ou nega o benefício sem marcar exame presencial — o que tende a encurtar a espera de quem está sem receber.
O que mudou de fato
- O prazo máximo de afastamento concedido por análise documental subiu de 60 para 90 dias.
- Existe um teto acumulado: os benefícios concedidos por essa via não podem somar mais de 90 dias dentro de um período de 180 dias, ainda que os afastamentos não sejam seguidos.
- Passado esse limite, o caso volta para a fila da perícia comum.
Por que tantos pedidos são negados
Como a decisão sai só com base no papel, a qualidade do documento médico pesa muito mais do que antes. Atestado apagado, sem carimbo, sem assinatura, sem o registro do profissional no conselho de classe ou sem indicação do tempo de repouso costuma ser recusado — não porque a pessoa não esteja doente, mas porque o documento não permite concluir nada.
Também é comum a negativa quando o atestado descreve a doença, mas não explica por que ela impede aquela pessoa de exercer o próprio trabalho. São informações diferentes, e o INSS avalia a segunda.
O que continua exigindo perícia presencial
- Afastamentos superiores a 90 dias;
- Prorrogação que estoure o limite acumulado no período de 180 dias;
- Aposentadoria por incapacidade permanente;
- Casos em que a documentação apresentada não é suficiente para a decisão.
Cuidado com golpe
Sempre que uma regra do INSS muda, aparece gente prometendo o que não pode entregar. O golpe da vez usa exatamente esse assunto: alguém procura o segurado dizendo que "aprova o atestado sem perícia", que tem contato dentro do órgão ou que consegue acelerar a análise, e em seguida cobra uma taxa por Pix, pede a senha da conta do governo ou uma foto do documento. Nenhum órgão público cobra para analisar atestado médico e nenhum servidor pede senha ou dado bancário por telefone ou mensagem.
Se o atestado foi recusado ou se existe dúvida sobre o que o relatório médico precisa dizer, o caminho seguro é procurar um profissional de sua confiança para analisar a documentação antes de um novo pedido — e para entender o motivo registrado na negativa, que nem sempre é o que parece.
Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.
Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais
Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.