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Golpes

544 anúncios falsos de renegociação de dívida em 3 meses; 38% foram feitos com inteligência artificial

Júnior Arrais Por Júnior Arrais · 11 de ago. de 2026
544 anúncios falsos de renegociação de dívida em 3 meses; 38% foram feitos com inteligência artificial

Quem está endividado costuma pesquisar saída na internet — e é exatamente ali que o golpista espera. Um levantamento do NetLab, da UFRJ, citado pelo Ministério da Fazenda, identificou 544 anúncios fraudulentos nas plataformas da Meta entre abril e junho deste ano, todos explorando programas de renegociação de dívida.

Dois números explicam por que esses anúncios enganam tanta gente: 38% foram produzidos com inteligência artificial e 72% usavam indevidamente a imagem do governo e de marcas conhecidas para parecerem oficiais.

Como o golpe funciona

O anúncio promete quitar dívida com desconto enorme ou liberar crédito sem consulta. Quem clica cai numa página que imita o visual de um site oficial, com brasão, cores e até vídeo de uma autoridade — muitas vezes montado por inteligência artificial. Em seguida vem o pedido: uma taxa de cadastro, um Pix "para reservar o benefício" ou os dados completos do cartão.

Depois do pagamento, o contato some. E o prejuízo raramente para no valor da taxa: com os dados em mãos, o golpista tenta abrir crédito no nome da vítima.

Os sinais que denunciam a fraude

  • cobrança de qualquer valor antes da liberação do dinheiro;
  • pedido de Pix para pessoa física;
  • pressa artificial: "vagas acabando", "só até hoje";
  • promessa de aprovação garantida, sem análise;
  • solicitação de senha, foto de documento segurando o RG ou dados do cartão por mensagem.

O que o governo esclarece

A orientação do Ministério da Fazenda é direta: a renegociação é feita exclusivamente nas instituições financeiras, sem intermediação de sites específicos e sem envio de links por SMS ou aplicativos de mensagem. Qualquer link que chegue sozinho na sua tela deve ser tratado como suspeito.

Se você já caiu

O primeiro passo é registrar boletim de ocorrência e avisar o banco, para tentar bloquear o Pix e monitorar tentativas de crédito no seu nome. Vale também acompanhar de perto se apareceu alguma dívida que você não reconhece.

Nenhum órgão do governo cobra taxa nem pede senha, Pix ou foto de documento para renegociar dívida ou liberar benefício. Diante de proposta duvidosa, o mais seguro é parar antes de pagar e levar o caso a um profissional de sua confiança.

Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Júnior Arrais

Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais

Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.