Medo da violência muda a rotina de 98% das mulheres, e 45% já perderam trabalho ou estudo

Quase todas as brasileiras mudam algum hábito por medo da violência. Segundo a pesquisa Segurança das Mulheres: Percepção da Sociedade Brasileira sobre Violência, dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, 98% das mulheres alteram a rotina ou as escolhas do dia a dia para se proteger. E o medo tem preço: 45% já deixaram de aproveitar uma oportunidade de trabalho ou de estudo por causa dele.
O levantamento ouviu 1.500 pessoas com 16 anos ou mais, em todas as regiões do país, entre 22 e 30 de abril de 2026. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais. Os resultados foram apresentados no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O que os números mostram
- 78% das mulheres dizem já ter sofrido ao menos um tipo de violência;
- 94% sentem insegurança nos deslocamentos pela cidade;
- 90% evitam determinados lugares;
- 45% já abriram mão de emprego, curso ou estudo por medo;
- 78% afirmam que propostas de combate à violência contra a mulher pesam na escolha do voto.
Quando o medo vira perda de renda
O dado dos 45% ajuda a entender por que a violência também é um problema econômico. Deixar de aceitar um emprego que termina tarde, de fazer um curso noturno ou de pegar o ônibus em certo horário reduz a renda da mulher e, muitas vezes, da família inteira. Em matérias recentes, o portal mostrou que a mulher ainda tem menos acesso à carteira assinada — o medo é mais uma trava nesse caminho.
Para a vítima de violência doméstica, a Lei Maria da Penha prevê proteção também no trabalho, como explicamos em quem paga o afastamento da mulher ameaçada.
Onde pedir ajuda
- 190 — Polícia Militar. É o número para o momento do perigo, quando há agressão ou ameaça acontecendo;
- 180 — Central de Atendimento à Mulher. Funciona 24 horas, orienta sobre direitos e serviços e registra denúncias;
- em vários estados, a ocorrência também pode ser registrada pela delegacia online, que dá sequência ao caso — mas, no momento do perigo, o caminho é o 190.
Cuidado com golpe
Golpistas também se aproveitam de quem está em situação vulnerável: há perfis que se apresentam como "serviço de proteção" e cobram para "agilizar medida protetiva" ou "liberar auxílio para vítimas". Medida protetiva não se compra e nenhum órgão público pede Pix, senha ou foto de documento por mensagem.
Se você sofreu violência e tem dúvida sobre seus direitos no trabalho, na pensão dos filhos ou em algum benefício, procure um profissional de sua confiança para analisar o seu caso.
Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.
Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais
Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.