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Direitos

Agressão contra mulher dentro de casa cresce 28,9% em dia de jogo de futebol, aponta estudo

Júnior Arrais Por Júnior Arrais · 17 de ago. de 2026
Agressão contra mulher dentro de casa cresce 28,9% em dia de jogo de futebol, aponta estudo

Os casos de lesão corporal dolosa contra mulheres crescem 28,9% em dias de jogo de futebol, e as ameaças aumentam 27,4%. O dado é de um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado em 11 de agosto, no mês em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos.

Como o estudo foi feito

Os pesquisadores cruzaram registros de boletim de ocorrência com as datas e os resultados de partidas do Campeonato Brasileiro da Série A, da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana, entre 2023 e 2025. O levantamento cobriu cinco capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre.

O recorte mais duro é o das mais jovens: entre mulheres de 15 a 29 anos, o aumento de ameaças e lesões em dia de jogo chega a 44,4%.

O que o dado diz e o que ele não diz

O estudo mostra uma correlação entre o dia da partida e o aumento das ocorrências. Isso não significa que o futebol cause a violência: a agressão já existia naquela casa, e o dia de jogo — com o consumo de álcool que costuma acompanhá-lo e a concentração de gente no mesmo ambiente — funciona como gatilho que antecipa e intensifica o que estava contido.

É uma distinção que importa. O problema não está no esporte, mas na conduta de quem agride e na estrutura que permite que a agressão se repita.

O que os pesquisadores recomendam

O estudo aponta dois caminhos. O primeiro é reforçar as estruturas que já existem, como as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e as patrulhas que fiscalizam o cumprimento das medidas protetivas de urgência — porque medida protetiva concedida no papel e não fiscalizada não protege ninguém.

O segundo é envolver os próprios clubes de futebol como agentes de mudança, mobilizando atletas e torcidas em campanhas contra a violência doméstica, aproveitando o alcance que o esporte tem justamente sobre o público masculino.

Onde buscar proteção

A medida protetiva de urgência pode ser pedida pela mulher em situação de violência e determina, entre outras providências, o afastamento do agressor do lar e a proibição de aproximação e de contato. Ela é concedida pela Justiça e independe de a mulher querer, naquele momento, que o agressor seja processado criminalmente.

Quem está passando por isso, ou conhece alguém que esteja, deve procurar uma delegacia — de preferência uma Delegacia da Mulher, onde houver — para registrar a ocorrência. E, para entender o alcance da medida protetiva, o que fazer se ela for descumprida e quais direitos existem quanto ao afastamento do trabalho e à guarda dos filhos, o caminho é procurar um profissional de sua confiança para acompanhar o caso.

Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.

Júnior Arrais

Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais

Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.