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Trabalho

Consignado CLT: desconto de até 35% do salário e uma dívida que não acaba com a demissão

Júnior Arrais Por Júnior Arrais · 22 de ago. de 2026
Consignado CLT: desconto de até 35% do salário e uma dívida que não acaba com a demissão Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O consignado de quem tem carteira assinada — o Crédito do Trabalhador, criado em março de 2025 — se espalhou rápido: juros menores que os do crédito pessoal comum e desconto da parcela direto na folha de pagamento. Mas há um ponto que pouca gente lê no contrato: a dívida não termina quando o emprego acaba.

Como funciona o desconto

A parcela sai todo mês diretamente do salário, antes de o dinheiro cair na conta. O comprometimento é limitado a 35% da remuneração disponível — o salário já descontadas as retenções obrigatórias. O controle é feito pelos sistemas oficiais de folha, e a cobrança acompanha o trabalhador que troca de emprego com carteira assinada.

O papel do FGTS — e o risco na demissão

Nessa linha, o trabalhador pode dar como garantia até 10% do saldo do FGTS e até 100% da multa rescisória devida na demissão sem justa causa. É isso que barateia o juro. E é isso que pesa no desligamento: demitido, o trabalhador pode ver parte das verbas rescisórias e do FGTS dado em garantia ser usada para abater ou quitar o saldo devedor. Justamente no momento em que a renda some, o colchão do FGTS pode sair menor do que ele esperava.

Em abril de 2026, o Ministério do Trabalho e Emprego apertou as regras da operação, restringindo tarifas e limitando custos adicionais cobrados na contratação — um sinal de que o próprio governo enxergou espaço para abuso.

Antes de assinar

Vale comparar o custo efetivo total (CET) entre bancos, verificar quanto da margem já está comprometida com outras dívidas e fazer a conta do cenário de demissão: com parcela de até 35% e garantia sobre FGTS e multa, o crédito barato de hoje pode virar aperto amanhã.

Cuidado com golpe

O crescimento da linha atraiu intermediários falsos, que cobram "taxa de liberação", prometem contrato aprovado mediante Pix antecipado ou pedem a senha do aplicativo do banco. Banco não cobra adiantado para liberar empréstimo, e nenhum órgão do governo pede senha, foto de documento ou dados do cartão.

Se a oferta chegou por telefone ou mensagem e você ficou em dúvida, ou se já assinou um contrato que não entendeu, procure um profissional de sua confiança para revisar as condições antes de qualquer pagamento.

Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.

Júnior Arrais

Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais

Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.