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Trabalho

Desemprego cai para 5,4%, o menor da série, mas mulher e trabalhador negro seguem atrás

Júnior Arrais Por Júnior Arrais · 17 de ago. de 2026
Desemprego cai para 5,4%, o menor da série, mas mulher e trabalhador negro seguem atrás

O desemprego no Brasil ficou em 5,4% no segundo trimestre de 2026, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, divulgada em 14 de agosto. No primeiro trimestre do ano a taxa era de 6,1%. É o menor patamar já registrado desde o começo da série da pesquisa.

O número médio, porém, esconde realidades bem diferentes conforme quem é o trabalhador e onde ele mora.

A média não vale para todo mundo

Quando a pesquisa separa por sexo e por cor da pele, a distância aparece:

  • mulheres: 6,4% de desemprego, contra 4,6% entre os homens;
  • pessoas pretas: 6,9%, e pardas, 6,1%, contra 4,2% entre as brancas.

Na prática, uma mulher negra enfrenta um mercado de trabalho bem mais apertado do que o retrato geral de 5,4% sugere. É a mesma população que mais depende de programa social e que mais recorre ao INSS quando adoece.

Onde é mais fácil e onde é mais difícil

Onze estados ficaram abaixo da média nacional. Santa Catarina lidera, com 2,1%, seguida de Mato Grosso (2,2%), Espírito Santo (2,3%), Rondônia (2,6%), Mato Grosso do Sul (2,7%), Paraná (3,1%), Minas Gerais (3,8%), Goiás (4,0%), Tocantins (4,1%), Rio Grande do Sul (4,2%) e Roraima (5,0%).

No outro extremo estão Amapá, com 9,8%, Bahia, com 9,1%, e Pernambuco e Piauí, ambos com 8,3%. A diferença entre Santa Catarina e o Amapá é de mais de quatro vezes.

Por que isso mexe com o seu benefício

Taxa de desemprego não é assunto só de economista. Ela conversa direto com a vida de quem depende de benefício:

  • quem é demitido sem justa causa e tinha carteira assinada pode ter direito ao seguro-desemprego, cujo número de parcelas varia conforme o tempo trabalhado;
  • quem perde o emprego formal e passa a ganhar menos pode se enquadrar nas regras do Cadastro Único e de programas sociais;
  • quem sai da informalidade para a carteira assinada passa a ter FGTS depositado e contribuição ao INSS contada para a aposentadoria.

Cuidado com golpe

Época de notícia boa sobre emprego é também época de anúncio falso de vaga. O golpe mais comum promete vaga certa em empresa conhecida e, na sequência, pede um valor para "reservar a vaga", para o exame admissional ou para a taxa de cadastro. Também aparecem links que pedem foto do documento e uma selfie segurando o RG, material que depois é usado para abrir conta e pedir empréstimo no nome da vítima.

Vaga de emprego não se compra. Nenhuma empresa séria cobra para contratar, e nenhum órgão público cobra taxa, pede Pix ou solicita senha para inscrever ninguém em programa de trabalho. Se você recebeu uma proposta assim ou está com dúvida sobre uma rescisão, verbas não pagas ou o direito ao seguro-desemprego, procure um profissional de sua confiança para analisar a sua situação antes de assinar ou pagar qualquer coisa.

Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.

Júnior Arrais

Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais

Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.