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Trabalho

Jovem negro tem menos carteira assinada e mais bico, mostra pesquisa

Júnior Arrais Por Júnior Arrais · 25 de ago. de 2026
Jovem negro tem menos carteira assinada e mais bico, mostra pesquisa

Entrar no mercado de trabalho não é a mesma coisa para todo jovem brasileiro. É o que mostra uma pesquisa da Fundação Itaú, feita com o Datafolha e o Instituto Locomotiva, que ouviu 1.816 jovens de 16 a 29 anos em todo o país.

Entre os jovens brancos que trabalham, 49% têm carteira assinada. Entre os negros, o número cai para 41%. E na ponta oposta a diferença é ainda maior: o bico informal, sem qualquer vínculo, aparece em 12% dos jovens negros contra 5% dos brancos — mais que o dobro.

Por que isso importa além do salário

Carteira assinada não é só o valor que cai na conta no fim do mês. É o que dá acesso a um conjunto de direitos que o bico não dá:

  • FGTS, depositado todo mês pelo empregador, com a multa de 40% em caso de demissão sem justa causa;
  • seguro-desemprego, quando o vínculo é encerrado sem justa causa e os requisitos são cumpridos;
  • contribuição ao INSS, que constrói o tempo para aposentadoria e dá direito a auxílio por incapacidade, salário-maternidade e pensão por morte para a família;
  • férias com o terço constitucional, décimo terceiro, aviso prévio e descanso semanal remunerado.

Quem passa a juventude inteira no informal chega aos 40 anos com um histórico de contribuição cheio de buracos. E buraco no histórico de contribuição custa caro lá na frente — às vezes custa a própria aposentadoria.

O que mais a pesquisa mostrou

O levantamento aponta que o jovem brasileiro não está parado esperando: a maioria concilia trabalho e estudo ou procura qualificação. O gargalo aparece na qualidade do vínculo oferecido, não na disposição de trabalhar. E a desigualdade se acumula — quem começa no informal tende a demorar mais para conseguir o primeiro registro.

O que dá para fazer com o tempo já trabalhado

Trabalho sem registro não é trabalho perdido. Período em que houve subordinação, horário e pagamento habitual pode ser reconhecido como vínculo de emprego, com anotação na carteira e recolhimento das contribuições correspondentes. Isso vale para quem trabalhou como "ajudante", "freelancer fixo" ou "diarista" em situação que, na prática, era emprego. Comprovante de pagamento, mensagem de WhatsApp com ordem de serviço, escala, uniforme e testemunhas são o que sustenta esse reconhecimento.

Cuidado com golpe

Jovem procurando emprego é alvo preferido de fraude. Os golpes mais comuns hoje: vaga que exige pagamento por "curso obrigatório", "taxa de cadastro" ou "exame admissional antecipado"; e mensagem oferecendo "carteira assinada retroativa" mediante pagamento. Processo seletivo sério não cobra nada do candidato, e ninguém vende registro em carteira. Também desconfie de quem pede foto de documento e selfie logo no primeiro contato por aplicativo de mensagem.

Se você trabalhou por meses sem registro e o vínculo terminou, ou se está trabalhando assim agora, guarde tudo que comprove a rotina e procure um profissional de sua confiança para avaliar o que cabe no seu caso. Existe prazo para reclamar direitos trabalhistas, e ele começa a correr quando o trabalho acaba.

Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.

Júnior Arrais

Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais

Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.