Só 1 em cada 5 motociclistas de aplicativo tem INSS, mostra o IBGE

O Brasil tem cerca de 405 mil motociclistas que trabalham por aplicativo — entregando comida e produtos ou transportando passageiros. Desses, apenas 79 mil contribuem para a Previdência: 19,4%, ou um em cada cinco. Os números são do módulo sobre trabalho por plataformas da Pnad Contínua, divulgado pelo IBGE na sexta-feira (4).
A comparação com o restante dos trabalhadores mostra o tamanho do problema. Entre todas as pessoas ocupadas no setor privado, a cobertura previdenciária é de 62,4%. Entre os motoristas de aplicativo (carro), é de 25,5%. Entre os motociclistas de app, de 19,4%.
O que significa não contribuir
Quem não paga a Previdência não tem, para o INSS, a condição de segurado. Na prática, isso deixa a pessoa sem:
- auxílio por incapacidade quando um acidente ou uma doença tira a pessoa do trabalho por mais de 15 dias;
- aposentadoria por incapacidade permanente em caso de sequela grave;
- pensão por morte para a família, se o pior acontecer;
- salário-maternidade e, lá na frente, aposentadoria.
É um risco desproporcional para uma atividade em que o acidente de trânsito é rotina. O próprio analista do IBGE responsável pela pesquisa apontou o contraste: a categoria mais exposta a acidentes é justamente a menos protegida.
Quem são esses trabalhadores
- o número de motociclistas de aplicativo praticamente dobrou de 2022 para 2025: de 211 mil para 405 mil;
- a jornada média é de 44,9 horas por semana;
- a retirada média, já descontado o combustível, foi de R$ 2.221 por mês;
- os motoristas de app (carro) somam 905 mil pessoas, com retirada média de R$ 2.873 e apenas um em cada quatro com INSS.
As empresas do setor, reunidas na Amobitec, contestaram a metodologia da pesquisa, que o IBGE classifica como experimental. Os números de cobertura previdenciária, porém, não foram questionados no mérito.
Como a proteção funciona para quem trabalha por conta própria
O motociclista de aplicativo não tem carteira assinada, então a contribuição não é descontada automaticamente: ele precisa entrar no sistema como contribuinte individual ou, quando cabe, como MEI. O portal já explicou como motorista e entregador de aplicativo podem se proteger no INSS e os efeitos de cada modalidade sobre a aposentadoria. Um detalhe que costuma surpreender: com a contribuição mensal em dia, o auxílio por incapacidade não exige carência quando a causa é acidente de qualquer natureza — mas só para quem está contribuindo.
Cuidado com golpe
Mensagem oferecendo "carnê do INSS com desconto", "regularização de anos atrasados por uma taxa" ou boleto enviado por aplicativo de mensagem é golpe. A contribuição previdenciária tem guia própria, com código de barras identificado, e ninguém do INSS entra em contato para vender pagamento.
Para decidir entre as modalidades de contribuição, saber quanto pagar e se vale recolher períodos passados, procure um profissional de sua confiança — a escolha errada custa anos de aposentadoria.
Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.
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Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais
Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.