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Trabalho

Minas Gerais resgatou 5,6 mil pessoas de trabalho análogo à escravidão em 13 anos

Júnior Arrais Por Júnior Arrais · 18 de ago. de 2026
Minas Gerais resgatou 5,6 mil pessoas de trabalho análogo à escravidão em 13 anos

Minas Gerais retirou 5.651 pessoas de situação de trabalho análogo à escravidão entre 2013 e 2026. Só neste ano foram 416 resgatadas. Os números foram divulgados em 17 de agosto de 2026 e mostram um problema que segue vivo, e não uma página virada do passado.

Os números da fiscalização

No período, foram 1.042 empresas fiscalizadas e 43.806 empregados avaliados durante as inspeções. As equipes identificaram 7.731 situações de trabalho análogo à escravidão e lavraram 10.665 autos de infração.

Há ainda um recorte específico de tráfico de pessoas: 3.676 vítimas foram libertadas no mesmo intervalo. E 5.475 trabalhadores receberam o seguro-desemprego destinado a quem é resgatado.

O que a lei considera trabalho análogo à escravidão

Muita gente imagina apenas corrente e cadeado. A caracterização é mais ampla e alcança quatro situações: trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes e servidão por dívida — quando o trabalhador é obrigado a comprar comida, ferramenta ou transporte do próprio empregador e nunca consegue quitar o que "deve".

Basta uma dessas situações para configurar o crime. Alojamento sem água potável, sem banheiro e sem lugar digno para dormir, comida estragada e jornada sem descanso já bastam, ainda que a pessoa tenha aceitado o serviço por vontade própria e possa ir embora.

Quem é resgatado não perde direito

É importante que isso fique claro, porque o medo de "dar problema" segura muita gente. A responsabilidade pela situação encontrada é inteiramente do empregador. O trabalhador resgatado não responde por nada, recebe as verbas rescisórias devidas e tem direito a parcelas de seguro-desemprego específicas para essa condição.

Cuidado com golpe

O recrutamento para esse tipo de trabalho costuma começar com uma promessa boa demais: salário alto, transporte pago e adiantamento na hora, sempre longe de casa e sempre com pressa para embarcar. Quando o contrato não existe no papel, quando pedem documento original para "guardar" ou quando o adiantamento vira dívida antes mesmo do primeiro dia, o sinal é vermelho.

Também circula golpe do outro lado: perfis que prometem liberar o seguro-desemprego do resgate mediante Pix. Nenhum órgão do governo cobra taxa nem pede senha ou foto de documento para pagar benefício.

Quem passou por situação parecida, ou tem parente trabalhando em condições assim, deve procurar um profissional de sua confiança para entender quais verbas são devidas e como reunir a prova do que aconteceu.

Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.

Júnior Arrais

Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais

Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.