Seis crianças morrem por dia de forma violenta no Brasil, aponta o Unicef

O Brasil registrou 2.079 crianças e adolescentes mortos de forma violenta em 2025 — uma média de aproximadamente seis por dia. O número é de levantamento divulgado pelo Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, que aproveitou o período eleitoral para cobrar propostas concretas de proteção à infância dos candidatos.
Outro dado do mesmo levantamento chama atenção pelo tamanho do salto: foram mais de 38 mil casos de violência doméstica contra crianças e adolescentes registrados em 2025, praticamente o dobro do ano anterior. Parte do aumento é atribuída à ampliação dos canais de denúncia, mas o volume é o maior da série.
O que o Unicef pediu
A organização avaliou os planos de governo das candidaturas com maior intenção de voto e concluiu que o tema aparece pouco e de forma genérica. O pedido é que os programas tragam metas mensuráveis em quatro frentes: prevenção da violência letal contra adolescentes, enfrentamento da violência doméstica e sexual, proteção na internet e fortalecimento da rede de acolhimento — conselhos tutelares, assistência social e serviços de saúde mental.
A rede que já existe
Independentemente do que os planos de governo trouxerem, o Estatuto da Criança e do Adolescente já obriga o poder público a manter estrutura de proteção. O conselho tutelar de cada município é a porta de entrada quando há suspeita de violência contra criança, e a denúncia pode ser feita por qualquer pessoa — inclusive de forma anônima, pelo canal nacional de direitos humanos.
Vale registrar que a proteção alcança também a criança que perde a mãe para a violência. A lei garante pensão especial aos filhos órfãos em decorrência de feminicídio, em condições determinadas, e o benefício é pago pelo INSS a menores de 18 anos em situação de vulnerabilidade.
O que a escola e a família podem observar
- mudança brusca de comportamento, isolamento ou queda repentina no rendimento escolar;
- faltas frequentes sem justificativa;
- marcas físicas com explicações que mudam a cada vez;
- medo desproporcional de um adulto específico;
- contato adulto insistente com a criança por aplicativos e jogos on-line.
Cuidado com golpe
Tema de infância mobiliza sentimento, e golpista sabe disso. Circulam correntes com foto de criança desaparecida — muitas antigas ou falsas — pedindo doação por Pix para "custear buscas", e páginas que se apresentam como campanha de proteção infantil coletando dados pessoais. Nenhum órgão público faz campanha de arrecadação por Pix pessoal, e conselho tutelar não cobra nada para atender. Antes de repassar, confira a origem.
Se na sua família há criança órfã em razão de violência doméstica, ou situação de guarda e pensão ainda não resolvida, reúna a documentação e procure um profissional de sua confiança — há direitos previdenciários e assistenciais que dependem de requerimento e têm efeitos ligados à data em que são pedidos.
Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.
Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais
Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.