Doação de órgãos: autorização agora pode ser feita por vídeo com o tabelião

Quem quer deixar registrado que deseja ser doador de órgãos pode fazer isso sem sair de casa, numa videoconferência com um tabelião. O documento se chama Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos, a Aedo, e é feito pela plataforma e-Notariado, do Colégio Notarial do Brasil. Desde 2024, 32.587 autorizações já foram registradas.
A ferramenta voltou ao noticiário no fim de setembro, mês de campanha pela doação de órgãos, e ajuda num problema antigo: a vontade do doador que ninguém da família conhecia.
A fila que espera
- Mais de 49 mil pessoas aguardam transplante no Brasil;
- cerca de 45 mil delas esperam um rim;
- 37.719 aguardam córnea, número 15% maior que o de dezembro de 2025.
Por que a família ainda decide
Pela lei brasileira, a retirada de órgãos depende da autorização da família depois da morte. A taxa média de recusa familiar está em 45%: quase metade das doações possíveis não acontece porque os parentes dizem não, muitas vezes por não saberem o que a pessoa queria.
É aí que a Aedo entra. Ela não obriga ninguém, mas deixa registrada, em documento com fé pública, a vontade expressa do doador. Para a família, no momento mais difícil, isso costuma fazer diferença. Por isso, os especialistas insistem num ponto: além do registro, conversar com a família sobre a decisão continua sendo o passo mais importante.
Como funciona o registro
A pessoa manifesta a intenção pela plataforma dos cartórios e participa de uma chamada de vídeo com o tabelião, que confirma a identidade e a vontade de doar. A autorização fica registrada num sistema nacional que pode ser consultado pelas equipes de transplante.
A decisão pode ser revista a qualquer tempo. E ela não interfere em nada na herança, no seguro de vida ou na pensão por morte dos familiares.
Cuidado com golpe
Em campanhas de saúde, aparecem sites e perfis falsos pedindo pagamento para "emitir a carteirinha de doador" ou "cadastrar no sistema nacional de transplante", ou oferecendo "furar a fila" mediante Pix. Fila de transplante não se compra: a ordem segue critérios técnicos do Sistema Nacional de Transplantes. Não informe senha nem mande foto de documento para quem prometer esse tipo de vantagem.
Se a sua família tem alguém na fila e enfrenta dificuldade para manter o tratamento ou garantir benefícios durante a espera, como o auxílio por incapacidade, procure um profissional de sua confiança para avaliar o caso.
Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.
Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais
Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.