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Saúde

Doação de órgãos: autorização agora pode ser feita por vídeo com o tabelião

Júnior Arrais Por Júnior Arrais · 24 de set. de 2026
Mulher vista de costas, à mesa da sala, segura um documento diante de um notebook com videochamada com um homem de terno

Quem quer deixar registrado que deseja ser doador de órgãos pode fazer isso sem sair de casa, numa videoconferência com um tabelião. O documento se chama Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos, a Aedo, e é feito pela plataforma e-Notariado, do Colégio Notarial do Brasil. Desde 2024, 32.587 autorizações já foram registradas.

A ferramenta voltou ao noticiário no fim de setembro, mês de campanha pela doação de órgãos, e ajuda num problema antigo: a vontade do doador que ninguém da família conhecia.

A fila que espera

  • Mais de 49 mil pessoas aguardam transplante no Brasil;
  • cerca de 45 mil delas esperam um rim;
  • 37.719 aguardam córnea, número 15% maior que o de dezembro de 2025.

Por que a família ainda decide

Pela lei brasileira, a retirada de órgãos depende da autorização da família depois da morte. A taxa média de recusa familiar está em 45%: quase metade das doações possíveis não acontece porque os parentes dizem não, muitas vezes por não saberem o que a pessoa queria.

É aí que a Aedo entra. Ela não obriga ninguém, mas deixa registrada, em documento com fé pública, a vontade expressa do doador. Para a família, no momento mais difícil, isso costuma fazer diferença. Por isso, os especialistas insistem num ponto: além do registro, conversar com a família sobre a decisão continua sendo o passo mais importante.

Como funciona o registro

A pessoa manifesta a intenção pela plataforma dos cartórios e participa de uma chamada de vídeo com o tabelião, que confirma a identidade e a vontade de doar. A autorização fica registrada num sistema nacional que pode ser consultado pelas equipes de transplante.

A decisão pode ser revista a qualquer tempo. E ela não interfere em nada na herança, no seguro de vida ou na pensão por morte dos familiares.

Cuidado com golpe

Em campanhas de saúde, aparecem sites e perfis falsos pedindo pagamento para "emitir a carteirinha de doador" ou "cadastrar no sistema nacional de transplante", ou oferecendo "furar a fila" mediante Pix. Fila de transplante não se compra: a ordem segue critérios técnicos do Sistema Nacional de Transplantes. Não informe senha nem mande foto de documento para quem prometer esse tipo de vantagem.

Se a sua família tem alguém na fila e enfrenta dificuldade para manter o tratamento ou garantir benefícios durante a espera, como o auxílio por incapacidade, procure um profissional de sua confiança para avaliar o caso.

Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.

Júnior Arrais

Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais

Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.