Brasil avança em 71% dos indicadores sociais, mas a desigualdade de renda e de raça piorou

O Brasil avançou em 34 dos 48 indicadores sociais analisados — 71% do total —, mas piorou em oito deles, e justamente nos que medem distância entre grupos. É o que aponta a quarta edição do relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades, produzido em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e divulgado em 12 de agosto, com dados de 2025.
O que melhorou
O relatório registra avanço em frentes que pesam direto no orçamento das famílias de baixa renda:
- queda da pobreza e aumento da renda média;
- mais gente com acesso ao mercado de trabalho;
- melhora da segurança alimentar, ou seja, menos famílias passando fome;
- redução da desnutrição entre crianças e entre pessoas idosas;
- queda do analfabetismo;
- redução dos homicídios de jovens de 15 a 29 anos.
O que piorou
Os oito indicadores que andaram para trás têm um traço em comum: todos medem quem fica com o quê.
- renda de mulheres: elas continuam ganhando menos que os homens, e a distância não cedeu;
- concentração de renda: a parcela do bolo que fica no topo aumentou;
- tributação: quem ganha mais paga proporcionalmente menos imposto do que quem ganha menos;
- população negra: os indicadores raciais pioraram no período;
- desigualdade regional: a pobreza segue concentrada no Norte e no Nordeste.
A conclusão do relatório resume o problema: o crescimento da economia chegou a diferentes grupos sociais, mas não foi suficiente para reduzir as distâncias históricas de renda, gênero, raça e território.
O que isso quer dizer na sua vida
Indicador que melhora na média nacional pode não melhorar no seu bairro. Uma família pode ter saído da linha de pobreza e, ao mesmo tempo, seguir gastando uma fatia maior do que ganha com comida, aluguel e conta de luz do que uma família de renda alta. É por isso que benefício e programa social continuam sendo o que sustenta o mês de milhões de pessoas mesmo em período de economia aquecida.
Vale um alerta de sempre: quando sai notícia sobre renda e programas sociais, aparecem mensagens prometendo "novo auxílio liberado" ou "cadastro para receber valor extra", com link e cobrança de taxa. Nenhum órgão do governo cobra valor para incluir alguém em programa social. Se você tem dúvida sobre o benefício que recebe ou sobre um bloqueio, procure um profissional de sua confiança para analisar o seu caso.
Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.
Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais
Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.