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Economia

Selic cai para 13,75%: o que muda no consignado do INSS, no Pix parcelado e no cartão

Júnior Arrais Por Júnior Arrais · 17 de set. de 2026
Cédulas de 50 e 100 reais sobre a mesa de madeira de uma cozinha, ao lado de uma calculadora e de um cartão virado para baixo

O Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto na quarta-feira, 16 de setembro. A Selic passa de 14% para 13,75% ao ano. É o quinto corte seguido desde março, e o movimento veio depois de o IPCA de agosto ficar negativo, em -0,32%, com a inflação de 12 meses em 4,22%.

A pergunta que interessa a quem recebe benefício ou vive de salário é simples: o juro que eu pago cai junto? A resposta é "em parte, e devagar". Abaixo, onde o corte chega e onde não chega.

Consignado do INSS: o teto não muda sozinho

O juro máximo do consignado para aposentados e pensionistas do INSS não acompanha a Selic automaticamente. Ele é fixado pelo INSS, depois de ouvir o Conselho Nacional de Previdência Social, e está em 1,85% ao mês. No fim de agosto, o Supremo Tribunal Federal confirmou que esse poder de fixar o teto é mesmo do INSS, ao julgar a ADI 7759 proposta pelos bancos.

Na prática, com a Selic caindo, abre-se espaço para o conselho reduzir o teto nas próximas reuniões, como já fez em outros ciclos de queda. Mas, até isso acontecer, o banco pode continuar cobrando 1,85%. O que já vale hoje é o direito de comparar: o teto é o máximo, não o preço obrigatório, e instituições diferentes cobram taxas diferentes. As regras completas de margem, prazo e custo total estão na matéria sobre o consignado do INSS em 2026.

Onde o corte aparece de verdade

  • Crédito com garantia: consignado de empresa privada, financiamento de veículo e de imóvel e antecipação do FGTS tendem a ficar um pouco mais baratos ao longo dos próximos meses, porque o banco corre menos risco nessas operações;
  • Portabilidade: quem tem dívida antiga, contratada quando a Selic estava em 15%, pode pedir a transferência do contrato para outro banco com taxa menor. É o efeito mais rápido do corte para quem já está endividado;
  • Renegociação: as campanhas de desconto ficam mais frequentes quando o juro cai, e a parcela nova sai menor.

Onde quase nada muda

O rotativo do cartão de crédito e o cheque especial trabalham com juros muito acima da Selic e praticamente não reagem a cortes de 0,25 ponto. O Pix parcelado segue a mesma lógica do crédito pessoal sem garantia: o portal já mostrou, ao explicar o Pix parcelado da Caixa, que o custo dele é definido pelo risco do cliente, não pela taxa básica. Crediário de loja idem.

Também não muda o rendimento dos benefícios: aposentadoria, BPC e Bolsa Família não têm relação com a Selic. O que a família pode sentir, se a inflação continuar baixa, é o preço da comida subindo menos.

Cuidado com golpe

Toda vez que o juro cai, aparecem mensagens oferecendo "portabilidade automática", "consignado com taxa nova liberada" ou "redução de parcela" mediante uma taxa antecipada ou a confirmação de dados por link. Nenhum órgão do governo, nem o INSS, nem banco sério cobra taxa, pede Pix, senha ou foto de documento para reduzir juros de contrato.

Quem quer aproveitar a queda para trocar uma dívida cara deve pedir o Custo Efetivo Total por escrito e, se tiver dúvida sobre um contrato antigo ou um desconto que não reconhece, procurar um profissional de sua confiança antes de assinar qualquer coisa.

Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.

Júnior Arrais

Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais

Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.