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Trabalho

Greve da Caixa: TST julga o dissídio nesta terça (29) e manda manter 60% do efetivo

Júnior Arrais Por Júnior Arrais · 28 de set. de 2026
Porta de vidro de uma agência bancária com cartaz de atendimento reduzido colado à altura dos olhos

A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal chega ao seu momento decisivo. A Seção Especializada em Dissídios Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho marcou para terça-feira, 29 de setembro, às 14h30, o julgamento do dissídio coletivo aberto pelo banco. Até lá, vale a ordem dada pelo ministro Mauricio Godinho Delgado na última quinta-feira: 60% dos empregados têm de permanecer em atividade em cada unidade, para que o pagamento de benefícios e a compensação bancária não parem.

O que está em jogo na terça

A paralisação começou em 10 de setembro e envolve cerca de 84 mil bancários. O ponto central da briga é o Saúde Caixa, o plano de saúde da categoria: o banco propôs um novo modelo de custeio, e os empregados rejeitaram três propostas seguidas em assembleias — a última, como o portal mostrou, com 59,3% de votos contrários. Sem acordo na mesa, a Caixa recorreu ao TST, que é o caminho previsto em lei quando a negociação coletiva trava.

No julgamento, os ministros podem tentar uma conciliação de última hora. Se ela não vier, o tribunal decide os pontos em disputa e fixa as condições que banco e trabalhadores terão de cumprir. Uma observação importante: a decisão do dissídio não encerra a greve automaticamente. O que acontece depois depende do teor do julgamento e das assembleias da categoria. Foi assim com os Correios, cuja greve acabou na semana passada após o TST fixar o reajuste.

Por que 60%, e não 80%

A Caixa pediu ao TST que 80% do efetivo fosse obrigado a trabalhar, alegando que só assim daria conta da compensação de cheques e do pagamento dos programas sociais. O ministro entendeu que 60% bastam para preservar as "necessidades inadiáveis da comunidade" — a expressão da Lei de Greve para os serviços que não podem ser interrompidos. Na prática, isso significa que toda agência deve ter pelo menos seis em cada dez empregados no posto. Enquanto o dissídio não é julgado, o acordo coletivo anterior, que valeria até agosto, continua em vigor.

O que muda para quem recebe benefício

  • Bolsa Família, BPC, aposentadorias e pensões do INSS: os créditos são feitos por sistema, no Caixa Tem ou na conta, e não dependem de funcionário no balcão. As datas de outubro já estão no calendário do Bolsa Família e no calendário do INSS;
  • FGTS e seguro-desemprego: os depósitos e os saques por aplicativo seguem normais; o que pode demorar é o atendimento presencial para casos que exigem agência;
  • Saque em espécie e caixa eletrônico: com 60% do efetivo, a orientação do banco é que as agências abram, mas com filas maiores. Lotéricas e correspondentes seguem funcionando;
  • Empréstimo e habitação: contratos que precisam de assinatura presencial são os mais afetados — quem tem prazo, vale antecipar.

Desde o início da paralisação o portal acompanha os efeitos para quem depende do banco, e a regra não mudou: benefício não atrasa por causa da greve.

Cuidado com golpe

Greve de banco é ambiente perfeito para golpista. As mensagens típicas são "sua agência está fechada, atualize seus dados pelo link", "o benefício foi retido por causa da greve, faça a liberação" ou uma ligação de suposto funcionário oferecendo "atendimento prioritário" em troca de senha ou de uma transferência. Nada disso existe: benefício retido por greve não é coisa que aconteça, e a Caixa não pede senha, Pix nem foto de documento por telefone ou mensagem.

Se algum pagamento seu de fato não caiu na data, ou se um contrato ficou parado por causa da paralisação, procure um profissional de sua confiança para verificar o motivo e o que pode ser feito. O guia sobre golpes contra quem recebe benefício reúne os sinais mais comuns.

Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.

Júnior Arrais

Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais

Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.