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Guia · Benefícios

CadÚnico: o que é, quem pode se inscrever, quando atualizar e quais benefícios dependem dele

Júnior Arrais Por Júnior Arrais · 8 de set. de 2026
CadÚnico: o que é, quem pode se inscrever, quando atualizar e quais benefícios dependem dele

O Cadastro Único para Programas Sociais, o CadÚnico, é o registro das famílias de baixa renda nas bases do governo federal. Criado em 2001, ele virou a porta de entrada de praticamente todo benefício público do país. Não é um benefício: é o cadastro que permite pedir os benefícios. Essa diferença explica a maior parte das frustrações, e é por ela que este guia começa.

Quem pode se inscrever

Podem se cadastrar as famílias com renda de até meio salário mínimo por pessoa, R$ 810,50 em 2026. Famílias com renda maior também podem ser incluídas quando estão ligadas a algum programa social que usa o cadastro, como acontece com a Tarifa Social de energia para quem tem em casa pessoa que depende de aparelho elétrico para tratamento de saúde.

O cadastro é feito por família, e uma pessoa assume o papel de responsável familiar: é ela quem responde pelas informações e, no Bolsa Família, quem recebe o cartão. A orientação do programa é que seja, de preferência, uma mulher da família, com pelo menos 16 anos. Quem morava com os pais e saiu de casa costuma continuar no cadastro antigo sem saber, e precisa abrir o próprio.

Os dois prazos de atualização

Existe o prazo que todo mundo conhece e o prazo que derruba benefício.

  • A cada 24 meses, mesmo que nada tenha mudado. A Lei nº 15.077/2024 fixou em dois anos a validade máxima das informações de quem recebe benefício. A convocação para revisão costuma chegar a partir dos 18 meses sem atualização;
  • Sempre que algo muda: alguém nasce, morre, sai ou entra na casa; a família muda de endereço; alguém começa ou perde um trabalho; a renda muda; uma criança troca de escola; alguém tira documento novo. Nesses casos a atualização é imediata, sem esperar os dois anos.

Cadastro dizendo uma coisa e a realidade dizendo outra é o que gera bloqueio. E o efeito é em cadeia: como vários programas leem a mesma base, uma família pode perder o Bolsa Família e o desconto na conta de luz ao mesmo tempo. Detalhes em quando é obrigatório atualizar.

A revisão cadastral de 2026

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social convocou cerca de 11 milhões de famílias para atualizar os dados na Ação de Qualificação Cadastral de 2026. Os grupos são chamados mês a mês, conforme a data da última atualização, e cada um tem sua data-limite. Quem não responde tem o Bolsa Família bloqueado por até dois meses e depois cancelado, pode perder a Tarifa Social de energia e, no caso do BPC, ter o cadastro excluído e o benefício suspenso. As exclusões de cadastro começam em novembro de 2026.

A convocação verdadeira chega pelos canais oficiais: mensagem dentro do aplicativo Cadastro Único, aviso no extrato do Bolsa Família e no Caixa Tem e, na Tarifa Social, recado impresso na fatura de energia. Veja o calendário público a público e o que acontece com cada benefício.

Quem mora sozinho

As famílias de uma pessoa só, chamadas unipessoais, cresceram muito no cadastro e passaram a ser alvo de fiscalização, porque parte dos registros era de pessoas que moravam com a família e se cadastravam sozinhas para aparecer com renda menor. A entrevista no domicílio foi criada para separar o cadastro verdadeiro do falso, mas penalizou quem mora sozinho de verdade, sobretudo idosos e moradores de área rural.

Em julho de 2026 o ministério adiou para 1º de julho de 2027 a obrigatoriedade da visita domiciliar para atualização de unipessoais do Bolsa Família e para inclusão ou atualização de quem recebe BPC (Portaria MDS nº 1.199). Até lá, a falta da visita não pode travar o atendimento. A entrevista continua obrigatória para entrar no Bolsa Família e para famílias em averiguação cadastral. Explicamos em a dispensa da visita e em o adiamento para 2027.

Biometria até 31 de dezembro de 2026

A Portaria Conjunta nº 23, de abril de 2026, fixou 31 de dezembro de 2026 como prazo para o cadastro biométrico das pessoas elegíveis ao Bolsa Família e de quem pede salário-maternidade, benefício por incapacidade, pensão por morte, seguro-desemprego e abono salarial. Quem já tem biometria na Justiça Eleitoral, na CNH ou no passaporte segue com a regra anterior. O caminho é a nova Carteira de Identidade Nacional, cuja primeira via em papel é emitida sem cobrança. Detalhes em biometria obrigatória: quem precisa e até quando.

Os programas que dependem do cadastro

Cada programa tem sua própria regra de renda; estar no CadÚnico não garante nenhum deles, mas é condição para todos:

  • Bolsa Família: renda de até R$ 218 por pessoa (guia);
  • BPC/LOAS: um quarto do salário mínimo por pessoa, R$ 405,25 (guia);
  • Tarifa Social de energia, Luz do Povo e Desconto Social: até meio salário mínimo por pessoa, ou entre meio e um salário no Desconto Social (guia);
  • Gás do Povo: até meio salário mínimo por pessoa, com prioridade para quem recebe Bolsa Família (guia);
  • Pé-de-Meia: estudante do ensino médio público em família com renda de até meio salário mínimo por pessoa (guia);
  • Minha Casa Minha Vida (faixa 1 subsidiada), tarifa social de água, Fies Social, isenção de taxa em concursos, auxílios emergenciais em desastres e programas estaduais e municipais;
  • cashback da reforma tributária, a partir de 2027, para famílias do cadastro com renda de até meio salário mínimo por pessoa (entenda).

Por isso vale manter o cadastro em dia mesmo sem receber nada no momento: é ele que abre a porta de qualquer programa novo.

Cuidado com golpe

Não existe despachante autorizado do CadÚnico, nem site particular que "adianta" o cadastro, nem link para "atualizar pelo celular". Em período de revisão cadastral aparecem páginas que imitam o visual do governo e capturam CPF, senha do gov.br e foto do documento, além de cobranças de "taxa para agendar o atendimento". Ninguém cobra pela atualização, que é feita presencialmente no atendimento de assistência social do município, e nenhum órgão do governo cobra taxa nem pede Pix, senha ou dados do cartão por mensagem.

Se a família foi convocada e há dúvida sobre o que apresentar, se o benefício já foi bloqueado ou se apareceu cobrança estranha no caminho, procure um profissional de sua confiança para conferir a situação e organizar os documentos antes que o prazo do seu grupo termine.

Guia permanente, revisado em 8 de setembro de 2026. Conteúdo informativo — não substitui orientação individualizada sobre o seu caso.

Júnior Arrais

Júnior Arrais · Editor do Portal Júnior Arrais

Comunicador de Ubá (MG). Escreve todos os dias sobre benefícios sociais, INSS, trabalho e economia do dia a dia, a partir do Diário Oficial, de portarias e de fontes oficiais, em linguagem simples. Conheça a linha editorial e a política de correções do portal.